G8 e G20 farão emergir uma Nova Ordem Mundial

terça-feira, 18 de agosto de 2009


Matéria publicada recentemente na revista Época.
G20: chegaremos a uma nova ordem global?

Na semana passada, a mesma Londres voltou a receber líderes internacionais com uma agenda parecida com a de 1933. Os chefes de Estado do chamado G20 – o pelotão de elite do planeta, no qual 85% da economia mundial está congregada – se reuniram para montar um plano cujo objetivo é combater uma crise global que parece se tornar a cada dia mais assustadora. Ao contrário de 1933, desta vez, a despeito de divergências não raro ácidas, houve acordo, traduzido num comunicado de nove páginas que abarcou 29 pontos – e foi dado um passo essencial para que um sentimento de desespero que se propagou globalmente com a mesma intensidade daquele de que Keynes falou possa se transformar em esperança e confiança.


“Estamos diante do maior desafio para a economia mundial nos tempos modernos”, disseram os líderes do G20 no comunicado. “Uma crise que se aprofundou desde o nosso último encontro, que afeta a vida de mulheres, homens e crianças em todos os países e para cuja superação todas as nações devem juntar forças. Uma crise global exige uma solução global.”


“Este é o dia em que o mundo se juntou para combater a recessão global, não com palavras, mas com um plano para a recuperação e reforma da economia, e com uma agenda clara”, disse o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que chefiou o encontro. “Acho que uma nova ordem mundial está emergindo, e com isso os alicerces de uma era de crescente cooperação internacional.” Foi um extraordinário triunfo pessoal para Brown – que empenhou todo o seu capital político na reunião. Palavras semelhantes às de Brown em relação aos resultados alcançados em Londres foram ditas pela maior estrela da conferência, o presidente americano Barack Obama. “Qualquer que seja a medida, o encontro de Londres foi histórico”, disse Obama. Foi a primeira grande viagem internacional de Obama – e uma das mostras de sua popularidade foram os aplausos animados recebidos por ele de jornalistas em geral céticos no final de sua entrevista coletiva concedida depois do encontro, realizado no centro de convenções Excel, na região de Docklands, no leste de Londres. “Foi histórico por causa do escopo e do tamanho dos desafios que enfrentamos e por causa da oportunidade e da magnitude de nossa resposta”, afirmou Obama.


Panizza nota no G20 uma mudança relevante no cenário internacional. “Estamos presenciando concretamente o início da difusão do poder global, anteriormente muito concentrado nos Estados Unidos”, diz ele. “Com essa crise financeira, haverá um inevitável enfraquecimento dos Estados Unidos e da Europa no cenário político e econômico mundial. E isso vai acelerar a abertura de espaço para os países emergentes, principalmente a China, mas também o Brasil".

A reunião de Londres vai mudar esse cenário? “As decisões de hoje não vão, é claro, resolver a crise imediatamente”, disse Gordon Brown. “Mas começamos o processo pelo qual ela será sanada.” Obama empregou o mesmo tom. “Terminamos um encontro muito produtivo que será, acredito, um momento de virada em nossa busca de uma recuperação na economia global”, disse Obama. Os resultados das decisões tomadas em Londres serão monitorados atentamente. Uma nova reunião do G20 já foi marcada ainda para este ano. Será em setembro, em Nova York. Lá, sob o comando de Barack Obama, os líderes dos principais países do mundo terão a oportunidade de verificar se os planos acertados em Londres estão andando ou não – e se existe a necessidade de novas ações. O que se pode dizer com certeza da reunião do G20 em Londres é que ela, pelo menos momentaneamente, devolveu ao mundo uma mercadoria em falta – e absolutamente vital em qualquer plano de recuperação econômica: a esperança.

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